Podar um terrário: quando, como e até onde
Uma planta encostada ao vidro, uma fitónia a fugir, musgo a ser enterrado: quando intervir, com que ferramentas e os cortes que não têm volta.

Neste guia
Para saber mais: As podas saudáveis podem ser usadas para propagar as plantas do seu terrário.
Poda-se um terrário quando uma planta toca no vidro, quando cresce por cima de outra ou quando uma folha está morta. Só isso. Duas ou três sessões por ano chegam para uma composição equilibrada, mais no primeiro ano e para as espécies vigorosas. O corte em si é simples; o que importa é retirar as aparas do terrário.
Os três sinais
Uma planta toca no vidro. É o mais urgente. Uma folha encostada a uma parede húmida fica permanentemente molhada, acastanha, depois apodrece e torna-se foco de bolor — veja Bolor num terrário fechado.
Uma planta cresce por cima de outra. As vigorosas — fícus pumila, soleirolia, fitónia — sufocam as de crescimento lento em poucos meses. Por baixo delas, a peperómia ou o musgo definham sem motivo aparente.
Uma folha está morta. Amarela, castanha, engelhada: sai. Num meio fechado nada leva embora a matéria morta, e ela alimenta fungos.
Com que cortar
Para um frasco de boca larga: bastam uma tesoura fina de costura e os dedos.
Para um gargalo estreito — garrafão, garrafa — é preciso alcance: tesouras de cabo comprido e pinças compridas para apanhar as aparas e as retirar. São as duas ferramentas que realmente contam; o resto é conforto.
Uma coisa antes de começar: limpe as lâminas. Uma tesoura que acabou de cortar uma zona com bolor transporta esporos.
Os cortes, planta a planta
Beliscar as pontas
É a poda mais útil e a menos compreendida. Cortar a ponta de um caule, mesmo acima de um par de folhas, obriga a planta a ramificar-se: dois novos rebentos partem dos gomos nas axilas das folhas.
O resultado é uma planta que engrossa em vez de fugir. Numa fitónia ou numa hipoestes, é a diferença entre uma almofada densa e um caule nu com três folhas no topo.
Cortar rente
Para uma planta que ficou nua na base, ou uma almofada de soleirolia a acastanhar no meio: corte curto, sem hesitar. Estas espécies voltam a crescer a partir da base em duas a três semanas.
Não fazer num feto: veja mais abaixo.
Cortar na base
Nos fetos, nunca se encurta uma fronde a meio — a parte cortada acastanha e não volta a crescer. Corte a fronde inteira o mais perto possível da coroa. A planta produz novas a partir do centro. Veja Fetos de terrário.
Descolar do vidro
O fícus pumila agarra-se à parede com minúsculas raízes. Descole-o com suavidade e depois corte o caule alguns centímetros para que não volte logo.
Musgo
O musgo apara-se com uma tesoura como um tecido, rente. Corta-se para lhe dar de novo uma forma ou para retirar uma zona castanha e mole — veja Musgo que acastanha.
Os cortes que não têm volta
Cortar uma fronde de feto a meio. A parte cortada acastanha, para sempre.
Cortar um caule rente ao substrato numa planta em roseta, como a peperómia: sem ponto de crescimento, não volta.
Podar uma planta que já está a sofrer. Se as folhas estão moles e o substrato encharcado, o problema é a água, não o crescimento. Resolva isso primeiro — veja Terrário demasiado molhado — e pode quando a planta estiver estabilizada.
Podar tudo de uma vez. Uma composição cortada de alto a baixo demora meses a recuperar o volume. Trabalhe por fases, com algumas semanas de intervalo.
Depois da poda
Retire todas as aparas. É o passo que se esquece e o mais importante. Passe com uma pinça, incluindo por baixo do musgo e nos cantos.
Limpe o vidro enquanto tem as mãos lá dentro: uma escova macia ou um pano limpo, sem produtos.
Não regue. A planta acabou de perder folhagem, por isso transpira menos: precisa de menos água, não de mais.
Volte a fechar. O terrário recupera o equilíbrio em poucos dias.
O bónus: as estacas
As aparas não são lixo. Alguns centímetros de caule de fitónia, fícus pumila, peperómia ou hipoestes, pousados sobre substrato húmido, enraízam em duas a três semanas na humidade de um terrário fechado.
É a maneira mais simples de encher uma composição ou de começar um segundo terrário sem comprar nada. A montagem está descrita em Como criar um terrário fechado.
Um terrário fechado vive anos com muito poucos cuidados, e é também por isso que é um bom presente. O nosso guia Oferecer um terrário compara o kit, o terrário já plantado e o vale-presente.
Fontes
Perguntas frequentes
Com que frequência se deve podar um terrário?
Duas ou três vezes por ano num terrário equilibrado, mais no primeiro ano, enquanto as plantas se instalam. As espécies vigorosas, como o fícus pumila ou a soleirolia, precisam de ser beliscadas de dois em dois meses.
Podem podar-se as plantas do terrário em qualquer altura do ano?
Sim. Debaixo de vidro não há um repouso invernal marcado: a temperatura e a humidade mantêm-se estáveis. Pode quando a planta precisar.
É preciso retirar as aparas?
Sempre. Num meio fechado, uma folha ou um caule deixado sobre o substrato decompõe-se e alimenta bolor. Retire tudo com uma pinça.
Pode substituir-se uma planta que ficou demasiado grande?
Sim, e por vezes é a melhor opção. Retire-a com uma pinça, preencha o buraco com substrato e plante uma jovem. É mais rápido do que podar uma planta esgotada.


