Estão a crescer cogumelos na madeira do meu terrário
Pequenos cogumelos amarelos ou brancos numa raiz ou no substrato: porque é normal num terrário bioativo, como distingui-los do bolor e quando agir.

Neste guia
Para ler também: Para substituir uma peça degradada, veja como escolher e preparar a madeira do terrário.
Um cogumelo a sair da madeira ou do substrato de um terrário fechado, nas primeiras semanas, é normal e inofensivo. Não é uma doença nem o resultado de um erro na montagem: é o começo da decomposição da madeira morta, exatamente como acontece no chão de uma floresta. Não há nada a fazer senão observar. O único caso que pede ação é o bolor, que não tem a mesma forma nem a mesma causa e que se reconhece em segundos quando se sabe o que procurar.
Porque é que a madeira produz cogumelos
Uma raiz, um ramo ou um pedaço de madeira de deriva nunca é estéril. Contém esporos e micélio, aqueles fios brancos quase invisíveis que percorrem a madeira há meses. Feche essa madeira num frasco quente e húmido e dá-lhe exatamente as condições que lhe faltavam para frutificar. O cogumelo que vê é apenas o órgão reprodutor de um organismo que já estava no pedaço de madeira quando o colocou.
Três condições desencadeiam-no, e um terrário fechado reúne as três:
- Humidade constante, nunca interrompida por uma corrente de ar seco;
- Uma temperatura amena, a de uma casa, entre 18 e 26 °C;
- Matéria morta para trabalhar: madeira, folhada, casca, raízes acabadas de cortar.
É o mesmo mecanismo que move um terrário bioativo, onde a decomposição da matéria morta é uma parte deliberada do sistema, não um acidente.
Os três visitantes mais comuns
| O que vê | Aspeto | Onde | O que fazer |
|---|---|---|---|
| Cogumelo amarelo vivo | Pé esguio, chapéu pregueado, 1 a 4 cm | Substrato tropical, base da madeira | Nada, ou retirá-lo com pinças |
| Pequenos chapéus castanhos | Grupo compacto, pé pálido | Madeira, folhada | Nada |
| Crosta branca na casca | Véu plano e aderente, sem penugem | Raiz, madeira de deriva | Nada |
| Penugem algodoada | Mancha difusa, fios, sem forma | Folha morta, terra encharcada | Retirar e arejar |
As três primeiras linhas são fungos que frutificam. A última é bolor, e é o único que pede ação.
O cogumelo amarelo do substrato
É de longe o mais comum e o que mais preocupa. Sai do substrato de um dia para o outro, ergue um chapéu amarelo ou amarelo-pálido com alguns centímetros e depois desaba em dois ou três dias. Vive da matéria orgânica do substrato, não toca nas raízes vivas e desaparece sozinho quando a matéria fresca se esgota. Pode deixá-lo. Retire-o com pinças só se não gostar dele ou se houver crianças pequenas a abrir o frasco.
Os pequenos chapéus na madeira
Crescem em tufos diretamente da casca ou da extremidade cortada de uma raiz. Confirmam que a madeira se decompõe lentamente, que é para isso que serve a decoração natural num ambiente vivo. Não se propagam às plantas. Aparecem muitas vezes depois de uma rega um pouco generosa ou de um período ameno, e secam no próprio sítio em poucos dias. Pode retirá-los com pinças depois de desabarem, para que não se transformem em matéria mole contra o musgo.
O véu branco plano
Muitas vezes confundido com bolor, é na verdade micélio à vista: uma rede de fios que coloniza a superfície da madeira. É plano, aderente e segue o veio da madeira. O bolor, pelo contrário, fica acima da superfície, em penugem, e levanta-se com um sopro.
A diferença que conta: fungo ou bolor
Bastam três critérios.
- A forma. Um cogumelo é construído: um pé, um chapéu ou uma crosta de contornos nítidos. O bolor não tem forma, espalha-se como uma nuvem.
- No que cresce. Os fungos vêm da madeira, da casca ou da folhada. O bolor instala-se numa folha morta caída, num fruto decorativo, numa mancha de terra encharcada.
- O que acontece a seguir. Um cogumelo ergue-se, liberta os esporos e desaba em poucos dias. O bolor alastra, ganha terreno todos os dias e volta ao mesmo sítio depois de o retirar.
Se a sua mancha cumprir os critérios do bolor, o guia Bolor num terrário fechado explica o que fazer: retirar a matéria afetada com pinças, arejar o recipiente e corrigir a rega. Um cheiro a mofo ao abrir o frasco aponta para o mesmo excesso de água.
Quando deve, ainda assim, preocupar-se
O fungo em si quase nunca é o problema. Torna-se um sinal quando vem acompanhado de outra coisa:
- O substrato fica encharcado e há água no fundo do recipiente. O fungo não é a causa, mas prospera nesse terreno. Leia Terrário demasiado húmido.
- As folhas enegrecem na base ou os caules ficam moles: já não é madeira morta a decompor-se, é tecido vivo a apodrecer, e o guia As plantas do meu terrário estão a morrer analisa as causas.
- A madeira desfaz-se em poucos meses. É o curso normal das coisas, apenas acelerado por uma madeira mole. Da próxima vez escolha uma madeira densa e seca, como as da seleção Madeira e raízes.
O que não fazer
- Não use fungicida. Um produto antifúngico num frasco fechado mata também a microfauna útil, incluindo os colêmbolos, e não resolve nada, já que o micélio está dentro da madeira.
- Não deite água oxigenada nem canela no substrato. Estes remédios populares desequilibram um ambiente que nem sequer estava doente.
- Não retire a madeira para a ferver depois do sucedido. Destruiria a composição sem esterilizar nada de forma duradoura: os esporos já estão no terrário e no ar da divisão.
- Nunca prove um cogumelo de terrário e lave as mãos depois de trabalhar dentro do frasco.
Conviver com eles, e até pô-los a trabalhar
Numa montagem bioativa, os fungos trabalham para si: transformam madeira e folhas mortas em matéria que as plantas podem usar. Os colêmbolos que circulam pelo substrato comem uma parte deles, o que mantém naturalmente as suas aparições sob controlo. É este trio — madeira morta, fungos, microfauna — que faz com que um terrário bem montado precise de tão pouca manutenção, como explica Cuidar de um terrário bioativo.
Dois hábitos bastam para manter o controlo. Retire as folhas mortas que caem sobre o substrato, porque alimentam sobretudo o bolor. E mantenha um ritmo de rega medido, descrito em Regar um terrário: um substrato fresco e nunca encharcado deixa os fungos desempenhar o seu papel sem deixar que a podridão se instale.
Fontes
Perguntas frequentes
Os cogumelos num terrário são perigosos?
Para as plantas, não: os que crescem na madeira decompõem madeira morta e não atacam tecido vivo. Como qualquer fungo desconhecido, não devem ser comidos nem manuseados sem luvas, sobretudo perto de crianças ou animais. Feche o frasco e lave as mãos depois de trabalhar lá dentro.
Deve retirar-se o cogumelo amarelo que cresce no substrato?
Não é necessário. O pequeno cogumelo amarelo vivo dos compostos tropicais alimenta-se de matéria morta e desaparece sozinho em poucos dias. Retire-o com pinças apenas se o incomodar visualmente ou se houver crianças com acesso ao terrário.
Como distinguir um cogumelo de bolor?
Um cogumelo tem uma forma construída: um pé, um chapéu ou uma crosta nitidamente delimitada na madeira. O bolor é uma penugem algodoada, sem estrutura, que se espalha em mancha e volta ao mesmo sítio. O bolor sinaliza humidade a mais; um cogumelo sinaliza apenas madeira a decompor-se.
Os cogumelos voltam sempre?
Aparecem sobretudo nas primeiras semanas, enquanto a madeira e o substrato ainda têm matéria fresca para decompor. Depois tornam-se mais raros e param quando o ambiente estabiliza. Reaparecerem depois de uma rega generosa é normal.


