Manutenção de um terrário bioativo: solo e microfauna
O que limpar, que folhada manter e quando intervir? Cuide de um terrário bioativo plantado sem perturbar desnecessariamente os decompositores.

Neste guia
Cuidar de um terrário bioativo é manter as condições certas para as plantas e para os decompositores, retirando o que o sistema já não está a gerir bem. Um solo com aspeto estéril não é o objetivo. Este guia trata de montagens plantadas; os vivários com répteis ou anfíbios exigem também cuidados específicos dos seus ocupantes.
Observe antes de limpar
Olhe para os novos rebentos, para a humidade junto às raízes e para os abrigos usados pela microfauna. Um cheiro invulgar, um solo lamacento ou plantas a decompor-se depressa merecem um olhar mais atento. Alguns decompositores que se mantêm fora de vista durante o dia não significam que a população tenha desaparecido.
Se o sistema acabou de ser montado, volte aos passos de o terrário bioativo. Acrescentar organismos ou comida a toda a hora torna mais difícil acompanhar o que se passa.
O que manter e o que retirar?
Mantenha uma camada de folhada útil
Pequenas quantidades de folhas adequadas, de origem conhecida e sem tratamento, fornecem abrigo e recursos. Complete a camada gradualmente, e só quando a folhada se decompõe e o sistema precisa. Não cubra os colos das plantas e mantenha parte do substrato à vista.
Retire o excesso
Retire caules podres, plantas doentes e a comida que se vai acumulando. Um decompositor não é um seguro contra todos os tipos de contaminação. Uma folha saudável que se está a decompor e um torrão que se transforma em líquido não pedem a mesma resposta.
Água e ventilação: ajuste sem secar demasiado
Verifique o substrato, e não apenas a condensação. Se se acumular água livre, reduza o que acrescenta e retire o excesso ao seu alcance. Se uma zona estiver a secar, humedeça-a pouco a pouco, tendo em conta o que a cultura precisa.
A quantidade certa de ventilação depende da montagem e dos organismos que nela vivem. Não seque todo o frasco abruptamente para se livrar de uma mancha de bolor: arrisca-se a perder tanto as plantas como a microfauna. Fechá-lo ainda mais, por outro lado, não é resposta para um solo já saturado.
Deve alimentar-se os colêmbolos?
Veja primeiro os recursos que já lá estão. Num sistema plantado, os detritos e os microrganismos podem bastar; alimentar por sistema arrisca acumular material que depois apodrece. Para uma cultura separada, aplique o protocolo dessa espécie. O guia dos colêmbolos trata da sua introdução e dos seus limites.
Se a população parecer estar a diminuir, verifique a humidade, o abrigo e quaisquer tratamentos antes de comprar outra cultura. A falta de alimento está longe de ser a única explicação.
Bolor ou mosquitos: evite o tratamento indiscriminado
Uma mancha de bolor num pedaço de matéria orgânica não é, por si só, razão para desmontar tudo. Retire o excesso e observe o que acontece; se as plantas forem afetadas, leia o guia sobre bolor num terrário.
Os adultos voadores pedem o diagnóstico de mosquitos do substrato. Qualquer tratamento tem de ter em conta a microfauna. Nunca verta desinfetante ou um remédio caseiro num solo vivo.
Quando o reconstruir?
Uma saturação persistente, uma estrutura colapsada ou várias plantas sem salvação podem justificar uma reconstrução. Corrija primeiro a causa e substitua depois as partes que precisam. Para escolher uma mistura adequada, veja substratos e bioativo; substituir tudo uma vez por ano não é um objetivo a atingir.
Fontes
Perguntas frequentes
É preciso retirar todas as folhas mortas?
Não. Uma camada de folhada pequena, saudável e adequada faz parte do sistema. Retire os tecidos doentes, o excesso de resíduos e tudo o que apodrece depressa.
Pode usar-se um inseticida num terrário bioativo?
Não sem verificar que convém a todos os organismos presentes e que o usa conforme o previsto. Um tratamento indiscriminado também pode eliminar a microfauna útil; comece por identificar o problema.




